skip to main |
skip to sidebar
O cantor pôs um fã de joelhos, literalmente, como forma de puni-lo por atirar latas de cerveja no palco. Aconteceu num show do Down, no estado do Texas, EUA, no último dia 15. O fato foi filmado e publicado no YouTube. Veja AQUI o vídeo.
Vai jogar latinha, vai...
Phil Anselmo sempre foi um dos meus vocalistas favoritos. Sei, muita gente acha que o cara só sabe berrar, etc. e tal. Mas eu não estou nem aí. Acho que, para o tipo de música que ele faz, estranho seria se ele tentasse soar como, vejamos... Frank Sinatra.
Dos gritos estridentes da época de “Cowboys from Hell”, disco que fez o Pantera alcançar o grande público, aos berros guturais de “Reinventing the Steel”, último álbum da banda, muitas pessoas ignoram músicas como “10’s” e “Floods”, em que o cantor explora melhor suas cordas vocais e deixa a emoção fluir pelo gogó.
Esse potencial desprezado é um dos ingredientes principais de “Nola”, tão excelente quanto subestimado álbum de estréia do Down, projeto paralelo de Anselmo com músicos das bandas Corrosion of Conformity e Crowbar, além do baixista Rex Brown (que entrou no lugar de Todd Strange, em 1999). Depois de cinco anos sumido – o último disco é de 2002, “Down II: A Bustle in Your Hedgerow”, – o grupo está de volta com “Down III: Over the Under”.
Depois de 5 anos, Down retorna em grande estilo

Depois do fim do Pantera e da trágica morte de Dimebag Darrell, todos pensavam que a carreira de Phil Anselmo estivesse acabada. Responsabilizado pelo assassinato de Darrell por alguns familiares do guitarrista, o cara foi impedido de comparecer ao velório do ex-parceiro e, como se não bastasse, ainda corria o risco de nunca mais voltar a andar, devido a problemas lombares. Sua carreira afundava em projetos meia-boca e em discos pífios, como “A Lethal Dose of American Hatred”, do Superjoint Ritual. Mas, para sua sorte, ainda havia o Down.
Ao lado de seus camaradas Rex Brown (ex-baixista do Pantera), Pepper Keenan (guitarrista do Corrosion of Conformity), Kirk Windstein (guitarrista do Crowbar) e Jimmy Bower (baterista do Crowbar), Anselmo retomou o velho projeto paralelo, que há cinco anos andava sumido, e a banda reapareceu com “Down III: Over the Under”, seu terceiro disco. E que disco! Repleto de riffs densos, ritmos quebrados, belas melodias e vocais emocionados, o álbum versa sobre temas como a tragédia ocorrida com Darrell e o desastre provocado pelo furacão Katrina, em Nova Orleans, cidade natal de Anselmo. Meio óbvio, mas o que mais se poderia esperar das letras escritas por um sujeito que passou por problemas como esses?
A voz de Anselmo não é mais a mesma. Mas, mesmo cantando de forma contida e deixando um pouco de lado seus famigerados berros, o vocalista dá conta do recado. Menos explosão, mais emoção. Músicas como “Never Try”, com uma irresistível levada blues, que explode em um emocionante refrão, mostram esse lado do cantor. E mostram que, por trás do metal cru de suas bandas de origem, os caras do Down têm potencial para ir além da pauleira.
Mas não é só de sentimento que se faz um grande disco. As guitarras de Pepper Keenan e Kirk Windstein se completam de forma harmoniosa e são o ponto alto do álbum. A referência maior, como sempre, é o Black Sabbath. Os riffs, ora acelerados, como em “3 Suns, 1 Star” e em “Pillamyd”, ora cadenciados, como na sabbathica “Beneath the Tides”, sempre soam arrastados e pesados, musculosos, mas com emoção e um quê de swing.
E por falar em swing, impossível não se deliciar com o groove irresistível de “On March the Saints”, que ganhou clipe (ver link no final do texto). Há ainda uma balada, a relaxante e psicodélica “His Majesty the Desert”, que segue a linha das músicas mais calmas de “Down II: A Bustle in Your Hedgerow”, segundo disco da banda. No entanto, diferentemente de seu antecessor, “Down III: Over the Under” não possui pontos baixos. As músicas são mais diretas, sem os exageros psicodélicos cometidos no (bom) álbum anterior. Mas o som pesadão do Down continua retrô. As influências do rock da década de 60, como The Who, e de 70, como Led Zeppelin, continuam ali, intactas.
“I Scream”, escolhida para divulgar o álbum, foi a única disponibilizada na Internet antes do disco ser lançado. Ao contrário do que seu nome pode sugerir, a canção não é repleta de gritos. Pelo contrário. Enquanto Anselmo vocifera o competente refrão, de apenas duas palavras (adivinhem quais?), vocalizações suaves dão uma sensação de calma, num prazeroso antagonismo. Os admiradores de heavy metal vão gostar, claro. E o apreciador de música em geral, que gosta de rock e não se assusta com guitarras distorcidas e vocais mais sujos, se der uma chance para a banda, vai encontrar qualidades que estão em falta na maior parte das bandas de rock contemporâneas.
Muito provavelmente, o novo disco não fará com que o Down obtenha o mesmo sucesso do Pantera, nem mesmo do Corrosion of Conformity. Nesse sentido, o que importa é que, depois do fim definitivo de sua antiga banda e de se recuperar da delicada cirurgia que sofrera na coluna, Phil Anselmo reencontrou o rumo da boa música. "Down III: Over the Under" não é tão bom quanto "Nola", mas é um excelente álbum. Mesmo que o sucesso não bata à porta do grupo, seus integrantes têm motivo para se orgulhar. E os fãs do Pantera que ainda não conhecem o Down precisam ouvir o disco!
Link para o clipe de "On March the Saints"
;
Foi-se o tempo de "Anticristo superstar". Marilyn Manson já não choca mais ninguém (a exceção fica por conta de pseudo-polêmicas, como a cena em que supostamente faz sexo com a namorada, a atriz Evan Rachel Wood, no clipe de “Heart-Shaped Glasses”). Hoje, ele só quer cantar sobre as desilusões do amor. Parece uma metamorfose bizarra, mas não chega a tanto. O que acontece é que ele não é mais o mesmo. E essa mudança foi gradual.
A verdade é que o discurso e as atitudes do cantor foram deixando de incomodar. Tudo se tornou repetitivo. Com isso, sobrou espaço para que as aventuras e desilusões amorosas de Brian Warner, o homem por trás do personagem, se tornassem o tema central. É estranho ouvir Manson cantando coisas superficiais como a letra de “Heart-Shaped Glasses”, primeiro single de “Eat Me, Drink me”, mas não dá para dizer que o disco é ruim, tampouco é possível elogiá-lo. O lado bom é que, musicalmente, a ausência de Twiggy Ramirez (antigo baixista e co-compositor) foi finalmente superada.
A melodia é o ponto forte das músicas, diferentemente do que aconteceu no álbum anterior, “The Golden Age of Grotesque”, que também não chega a empolgar. Em “Eat Me, Drink Me” as inovações vão além da temática: algumas músicas têm longos solos de guitarra, a gritaria e a agressividade ficaram em segundo plano, embora não tenham sido totalmente deixadas de lado. Mas o disco não convence. Em poucos momentos o romantismo gótico de Manson realmente emociona. Há boas músicas, mas não existe mais impacto. O personagem de Brian Warner, outrora intenso, insano e raivoso, tornou-se débil, sóbrio e ineficaz.
Shows no Brasil
Talvez o problema seja auto-indulgência, talvez Marilyn Manson tenha dado tudo o que tinha de dar e não há mais rumo a seguir. Ou as duas coisas. Pode ser só falta inspiração. A verdade é que, depois da última aparição do cantor no Brasil, é impossível negar que algo está errado. As exigências peculiares (três camarins com três geladeiras cada, por exemplo) para apresentar-se no Vídeo Music Brasil já mostravam um certo estrelismo do cantor, que, depois de 11 anos, voltou ao Brasil para fazer dois shows decepcionantes (um em SP e outro no RJ).
No Rio de Janeiro (25/09), com um set-list magro e mal planejado, a banda tocou apenas 13 músicas, quatro delas do último álbum (“If I Was Your Vampire”, “Just a Car Crash Away”, “Heart-Shaped Glasses” e “Putting Holes in Happiness”), ignorando hits importantes como “Tourniquet”, “The Nobodies” e “Great Big White World”. A banda é ótima, todos são bons instrumentistas, e Manson cantou muito bem (ao contrário do que aconteceu no VMB). Mas algo ficou faltando.
Dizer que o show foi curto pode parecer chatice de quem espera mais do que deve, mas não é. Depois de tocar as duas primeiras músicas, a banda saiu do palco e só voltou depois de dez minutos. Um sujeito falou ao microfone (em português!) que houve "falha técnica", numa cena atípica, e o show recomeçou. Ou seja, com esta e outras pausas, a apresentação não durou nem uma hora. No fim, o público esperou em vão por um segundo bis, já que ninguém acreditava que a apresentação seria tão curta. Mas Manson deixou os fãs carentes, não só dos clássicos não tocados, mas, acima de tudo, de uma performance vigorosa. Faltou garra, vontade, sangue (também no sentido literal, já que o músico não se corta mais ao tocar “Sweet Dreams”) :).
Que o cantor não fazia mais as mesmas loucuras no palco todos já sabiam. O que não se podia imaginar é que sua apresentação seria tão curta e burocrática. Para completar, Manson queimou ainda mais o próprio filme ao se apresentar no VMB. Sem a boa voz que mostrou nos outros shows, o cantor pagou vários micos: quebrou o púlpito dos apresentadores, brigou com um cinegrafista e, para piorar, cantou muito mal. Depois das exigências esdrúxulas, da falta de garra e de tanta auto-indulgência, só resta declarar que Marilyn já não é mais o “Reverendo Manson”, tampouco o Anticristo. Só que agora, mais do que nunca, ele se acha uma super-estrela. Uma pena!
Coincidência
Enquanto Brian Warner insiste em ser Marilyn Manson, Jeordie White, ou Twiggy Ramirez, como era conhecido, resolveu deixar seu personagem de lado: "Sinto um pouco de saudade dos tempos de Twiggy. Na época, era sério: os vestidos, as maquiagens, o teatralismo, toda aquela piração. Mas cheguei em um ponto onde comecei a me sentir meio ridículo. O personagem era real, mas começou a virar uma imitação de si mesmo. Se eu voltasse a fazer isso, eu não seria quem sou agora". Fica aí a dica...
Clique para ver a apresentação de Manson no VMB.