Phil Anselmo sempre foi um dos meus vocalistas favoritos. Sei, muita gente acha que o cara só sabe berrar, etc. e tal. Mas eu não estou nem aí. Acho que, para o tipo de música que ele faz, estranho seria se ele tentasse soar como, vejamos... Frank Sinatra.
Dos gritos estridentes da época de “Cowboys from Hell”, disco que fez o Pantera alcançar o grande público, aos berros guturais de “Reinventing the Steel”, último álbum da banda, muitas pessoas ignoram músicas como “10’s” e “Floods”, em que o cantor explora melhor suas cordas vocais e deixa a emoção fluir pelo gogó.
Esse potencial desprezado é um dos ingredientes principais de “Nola”, tão excelente quanto subestimado álbum de estréia do Down, projeto paralelo de Anselmo com músicos das bandas Corrosion of Conformity e Crowbar, além do baixista Rex Brown (que entrou no lugar de Todd Strange, em 1999). Depois de cinco anos sumido – o último disco é de 2002, “Down II: A Bustle in Your Hedgerow”, – o grupo está de volta com “Down III: Over the Under”.
Depois de 5 anos, Down retorna em grande estilo

Dos gritos estridentes da época de “Cowboys from Hell”, disco que fez o Pantera alcançar o grande público, aos berros guturais de “Reinventing the Steel”, último álbum da banda, muitas pessoas ignoram músicas como “10’s” e “Floods”, em que o cantor explora melhor suas cordas vocais e deixa a emoção fluir pelo gogó.
Esse potencial desprezado é um dos ingredientes principais de “Nola”, tão excelente quanto subestimado álbum de estréia do Down, projeto paralelo de Anselmo com músicos das bandas Corrosion of Conformity e Crowbar, além do baixista Rex Brown (que entrou no lugar de Todd Strange, em 1999). Depois de cinco anos sumido – o último disco é de 2002, “Down II: A Bustle in Your Hedgerow”, – o grupo está de volta com “Down III: Over the Under”.
Depois de 5 anos, Down retorna em grande estilo
Depois do fim do Pantera e da trágica morte de Dimebag Darrell, todos pensavam que a carreira de Phil Anselmo estivesse acabada. Responsabilizado pelo assassinato de Darrell por alguns familiares do guitarrista, o cara foi impedido de comparecer ao velório do ex-parceiro e, como se não bastasse, ainda corria o risco de nunca mais voltar a andar, devido a problemas lombares. Sua carreira afundava em projetos meia-boca e em discos pífios, como “A Lethal Dose of American Hatred”, do Superjoint Ritual. Mas, para sua sorte, ainda havia o Down.
Ao lado de seus camaradas Rex Brown (ex-baixista do Pantera), Pepper Keenan (guitarrista do Corrosion of Conformity), Kirk Windstein (guitarrista do Crowbar) e Jimmy Bower (baterista do Crowbar), Anselmo retomou o velho projeto paralelo, que há cinco anos andava sumido, e a banda reapareceu com “Down III: Over the Under”, seu terceiro disco. E que disco! Repleto de riffs densos, ritmos quebrados, belas melodias e vocais emocionados, o álbum versa sobre temas como a tragédia ocorrida com Darrell e o desastre provocado pelo furacão Katrina, em Nova Orleans, cidade natal de Anselmo. Meio óbvio, mas o que mais se poderia esperar das letras escritas por um sujeito que passou por problemas como esses?
A voz de Anselmo não é mais a mesma. Mas, mesmo cantando de forma contida e deixando um pouco de lado seus famigerados berros, o vocalista dá conta do recado. Menos explosão, mais emoção. Músicas como “Never Try”, com uma irresistível levada blues, que explode em um emocionante refrão, mostram esse lado do cantor. E mostram que, por trás do metal cru de suas bandas de origem, os caras do Down têm potencial para ir além da pauleira.
Mas não é só de sentimento que se faz um grande disco. As guitarras de Pepper Keenan e Kirk Windstein se completam de forma harmoniosa e são o ponto alto do álbum. A referência maior, como sempre, é o Black Sabbath. Os riffs, ora acelerados, como em “3 Suns, 1 Star” e em “Pillamyd”, ora cadenciados, como na sabbathica “Beneath the Tides”, sempre soam arrastados e pesados, musculosos, mas com emoção e um quê de swing.
E por falar em swing, impossível não se deliciar com o groove irresistível de “On March the Saints”, que ganhou clipe (ver link no final do texto). Há ainda uma balada, a relaxante e psicodélica “His Majesty the Desert”, que segue a linha das músicas mais calmas de “Down II: A Bustle in Your Hedgerow”, segundo disco da banda. No entanto, diferentemente de seu antecessor, “Down III: Over the Under” não possui pontos baixos. As músicas são mais diretas, sem os exageros psicodélicos cometidos no (bom) álbum anterior. Mas o som pesadão do Down continua retrô. As influências do rock da década de 60, como The Who, e de 70, como Led Zeppelin, continuam ali, intactas.
“I Scream”, escolhida para divulgar o álbum, foi a única disponibilizada na Internet antes do disco ser lançado. Ao contrário do que seu nome pode sugerir, a canção não é repleta de gritos. Pelo contrário. Enquanto Anselmo vocifera o competente refrão, de apenas duas palavras (adivinhem quais?), vocalizações suaves dão uma sensação de calma, num prazeroso antagonismo. Os admiradores de heavy metal vão gostar, claro. E o apreciador de música em geral, que gosta de rock e não se assusta com guitarras distorcidas e vocais mais sujos, se der uma chance para a banda, vai encontrar qualidades que estão em falta na maior parte das bandas de rock contemporâneas.
Muito provavelmente, o novo disco não fará com que o Down obtenha o mesmo sucesso do Pantera, nem mesmo do Corrosion of Conformity. Nesse sentido, o que importa é que, depois do fim definitivo de sua antiga banda e de se recuperar da delicada cirurgia que sofrera na coluna, Phil Anselmo reencontrou o rumo da boa música. "Down III: Over the Under" não é tão bom quanto "Nola", mas é um excelente álbum. Mesmo que o sucesso não bata à porta do grupo, seus integrantes têm motivo para se orgulhar. E os fãs do Pantera que ainda não conhecem o Down precisam ouvir o disco!
Link para o clipe de "On March the Saints"
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Ao lado de seus camaradas Rex Brown (ex-baixista do Pantera), Pepper Keenan (guitarrista do Corrosion of Conformity), Kirk Windstein (guitarrista do Crowbar) e Jimmy Bower (baterista do Crowbar), Anselmo retomou o velho projeto paralelo, que há cinco anos andava sumido, e a banda reapareceu com “Down III: Over the Under”, seu terceiro disco. E que disco! Repleto de riffs densos, ritmos quebrados, belas melodias e vocais emocionados, o álbum versa sobre temas como a tragédia ocorrida com Darrell e o desastre provocado pelo furacão Katrina, em Nova Orleans, cidade natal de Anselmo. Meio óbvio, mas o que mais se poderia esperar das letras escritas por um sujeito que passou por problemas como esses?
A voz de Anselmo não é mais a mesma. Mas, mesmo cantando de forma contida e deixando um pouco de lado seus famigerados berros, o vocalista dá conta do recado. Menos explosão, mais emoção. Músicas como “Never Try”, com uma irresistível levada blues, que explode em um emocionante refrão, mostram esse lado do cantor. E mostram que, por trás do metal cru de suas bandas de origem, os caras do Down têm potencial para ir além da pauleira.
Mas não é só de sentimento que se faz um grande disco. As guitarras de Pepper Keenan e Kirk Windstein se completam de forma harmoniosa e são o ponto alto do álbum. A referência maior, como sempre, é o Black Sabbath. Os riffs, ora acelerados, como em “3 Suns, 1 Star” e em “Pillamyd”, ora cadenciados, como na sabbathica “Beneath the Tides”, sempre soam arrastados e pesados, musculosos, mas com emoção e um quê de swing.
E por falar em swing, impossível não se deliciar com o groove irresistível de “On March the Saints”, que ganhou clipe (ver link no final do texto). Há ainda uma balada, a relaxante e psicodélica “His Majesty the Desert”, que segue a linha das músicas mais calmas de “Down II: A Bustle in Your Hedgerow”, segundo disco da banda. No entanto, diferentemente de seu antecessor, “Down III: Over the Under” não possui pontos baixos. As músicas são mais diretas, sem os exageros psicodélicos cometidos no (bom) álbum anterior. Mas o som pesadão do Down continua retrô. As influências do rock da década de 60, como The Who, e de 70, como Led Zeppelin, continuam ali, intactas.
“I Scream”, escolhida para divulgar o álbum, foi a única disponibilizada na Internet antes do disco ser lançado. Ao contrário do que seu nome pode sugerir, a canção não é repleta de gritos. Pelo contrário. Enquanto Anselmo vocifera o competente refrão, de apenas duas palavras (adivinhem quais?), vocalizações suaves dão uma sensação de calma, num prazeroso antagonismo. Os admiradores de heavy metal vão gostar, claro. E o apreciador de música em geral, que gosta de rock e não se assusta com guitarras distorcidas e vocais mais sujos, se der uma chance para a banda, vai encontrar qualidades que estão em falta na maior parte das bandas de rock contemporâneas.
Muito provavelmente, o novo disco não fará com que o Down obtenha o mesmo sucesso do Pantera, nem mesmo do Corrosion of Conformity. Nesse sentido, o que importa é que, depois do fim definitivo de sua antiga banda e de se recuperar da delicada cirurgia que sofrera na coluna, Phil Anselmo reencontrou o rumo da boa música. "Down III: Over the Under" não é tão bom quanto "Nola", mas é um excelente álbum. Mesmo que o sucesso não bata à porta do grupo, seus integrantes têm motivo para se orgulhar. E os fãs do Pantera que ainda não conhecem o Down precisam ouvir o disco!
Link para o clipe de "On March the Saints"
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Um comentário:
Sem dúvidas Down é uma puta banda, e seu novo disco está muito bom. A voz de Phil se encaixa perfeitamente nesse novo “banquete” proporcionado pelos caras!
Parabéns pelo comentário (discografias comentadas), está muito bom!
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